Estudo Pr. Aloísio *

 

Intervenções psicopedagógicas para alunos surdos no ensino fundamental

PARTE I

 

Aloísio Tadeu Rodrigues da Silva (1)

 

INTRODUÇÃO

            A educação de pessoas surdas tem chamado à atenção dos educadores, uma vez que os surdos, por sua perda auditiva, têm dificuldades de acesso à linguagem oral e escrita. A surdez com certeza prejudica muito a socialização e em seu desenvolvimento geral das crianças que a possuem. Por este motivo, embora as propostas educacionais tenham como objetivo proporcionar o desenvolvimento pleno de suas capacidades, as diferentes práticas pedagógicas têm lhes determinado uma série de limitações.
No final do Ensino Fundamental a maioria dos alunos surdos não são capazes de ler e escrever satisfatoriamente ou de terem  domínio adequado dos conteúdos acadêmicos. Um dos principais objetivos da política de inclusão é inserir o aluno no ensino regular. Porém, alunos surdos só apresentarão bom desempenho escolar se a escola apresentar condições lingüísticas e culturais especiais, com a presença da Língua Brasileira de Sinais. Para que isso aconteça é essencial a presença de interpretes de LIBRAS e de educadores, surdos ou não, que divulguem os conteúdos escolares nesta língua, bem como o uso de auxílios tecnológicos.  
            No modo de ver de PERLIN (2006, p.8) “para os surdos brasileiros é o momento de resvalar pela pedagogia dos surdos em um terreno de construção de forma despreocupada. O Sujeito da pedagogia dos surdos é o sujeito outro naturalmente educável, naturalmente com capacidade virtual própria para sua educação que requer ser diferente das outras pedagogias.”
            Atualmente existem quarenta e quatro países que reconhecem a LIBRAS e muitos surdos adultos tem regressado ao ambiente escolar ao perceberam que este se tornou significativo para eles. Buscam a Educação de Jovens e Adultos (EJA) com o desejo de recuperar o tempo, considerado perdido por eles. Segundo QUADROS e KARNOPP (2004, p. 30) “as línguas de sinais são, portanto, consideradas pela lingüística como línguas naturais ou como um sistema lingüístico legítimo, e não como um problema do surdo ou como uma patologia da linguagem.”
            Segundo QUADROS (2004, p. 17), “a educação de surdos no Brasil deve ser bilíngüe, garantindo o acesso à educação por meio da língua de sinais e o ensino da língua portuguesa escrita como segunda língua.”  SKLIAR (2001, p. 129) nos diz que  “aos surdos foi negada historicamente sua identidade e sua língua, seria um simples reducionismo acusá-los de ter limitações em seus processos psicológicos superiores”.
            Como a LIBRAS é o meio e o fim da interação social, cultural e científica da comunidade surda. Por isso a alfabetização das crianças surdas só terá sentido se acontecer através da língua de sinais. Importante neste processo é contar historinhas na língua de sinais. De acordo com Quadros (2006, p. 54), “o relato de estórias inclui a produção espontânea das crianças e do professor, bem como a produção de estórias existentes, portanto, de literatura infantil”.
            Tendo observado estes pressupostos, fica a pergunta: Quais intervenções psicopedagógicas são mais adequadas no trabalho com alunos surdos?  O psicopedagogo nunca deve se esquecer de que a criança surda não tem nenhuma dificuldade mental e portanto pode aprender.   
           

CLASSIFICAÇÃO DOS NÍVEIS DE SURDEZ
            O indivíduo que apresenta perda profunda ou parcial em sua capacidade de ouvir os sons é considerado surdo. Quanto mais cedo a surdez for diagnosticada melhor será para a pessoa; no entanto, muitos pais não percebem logo que seu filho tem essa dificuldade. O exame auditivo não causa nenhuma dor á criança e pode ser realizado até mesmo nos recém-nascidos.
            Uma técnica muito utilizada para detectar problemas de audição em bebês é o Exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (EDAS), popularmente conhecido como Teste da Orelhinha. Este exame deve ser associado a outro exame denominado Audimetria de Tronco Cerebral (Bera). Estes testes, além do teste de audiometria e impedanciometria, são relevantes para a classificação da perda auditiva. 
Os testes supracitados calculam a média dos limiares das freqüências de 500, 1000 e 2000 HZ que mostram as seguintes classificações:
           

            Pode-se dividir a perda auditiva em cinco categorias + anacusia:

  • (a) Surdez Leve: perda auditiva entre 25 db e 40 db.;
  • (b) Surdez Moderada: perda auditiva entre 41 db e 55 db.;
  • (c) Surdez Acentuada – Moderada Severa: perda auditiva entre 56 db e 70 db.;
  • (d) Surdez Severa:  perda auditiva entre 71 e 90 db. ;
  • (e) Surdez Profunda: perda auditiva acima de 91 db. (f) Anacusia: significa a falta de audição, sendo diferente de surdez, onde existem resíduos auditivos (VICENTINO, 2009, p. 22 -23).

A audição para ser considerada normal deve ser de até 24 db (2). A mesma autora comenta outras informações relevantes:
           A perda auditiva se divide em: sensório neural, perda auditiva condutiva, perda auditiva mista, congênita (por exemplo, se a mãe teve rubéola na gestação) e adquirida (por fatores ocorridos depois do nascimento tais como: miningite, ototóxicos, ruídos, idade, entre outros). Diante de todas as complexidade da surdez e as de ser surdo é importantíssimo que se estabeleça uma comunicação entre surdo e ouvintes. A LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) oferece instrumentos e procedimentos para que isso ocorra em todos os âmbitos: familiar, social e acadêmico (VICENTINO, 2009, p. 23)                                                  

 

VICENTINO, Isabel C. – Libras: Você sabe o que é? Direcional Educador. Ano 5. no. 53, p. 22-24, maio 2009.



(1) O autor é Licenciado em Letras pela Universidade de Guarulhos (2003); Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2006) e Pós-Graduado em Psicopedagogia pela Universidade de Guarulhos (2010) e Pós-Graduando em Gestão de Pessoas e Projetos Sociais pela Universidade Federal de Itajubá/MG.

(2) db = decibéis

 

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* Pr. Aloísio Tadeu Rodrigues da Silva
Pastor Titular de Casa Verde
Bacharel em Teologia pela Universidade
Presbiteriana Mackenzie